Especialistas do agronegócio discutem convergência tecnológica no campo em Congresso da FEI

As potencialidades do campo conectado e como será o futuro com a integração entre as cidades e o mundo agrícola foram os principais temas de discussão do segundo dia do Congresso de Inovação 2017 – Megatendências 2050, realizado terça-feira (10/10) pelo Centro Universitário FEI, no campus São Bernardo do Campo (SP). Com a temática “A Cidade e o Campo Inteligentes, para uma melhor qualidade de vida”, o evento teve início oficial com a participação do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, acompanhado do reitor da FEI, Fábio do Prado, e também do presidente da Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros, padre Theodoro Peters.

Em sua fala, Kassab destacou que o Brasil ainda não despertou para a Ciência e Tecnologia. “Hoje o governo vive com a lei do teto, não é possível inventar e o orçamento está muito enxuto. Isso mostra o quanto a Inovação, Ciência e Pesquisa estão deixadas de lado. No entanto, é com iniciativas como essa da FEI, mostrando o que a inovação traz de perspectivas para as cidades, para o campo, é que conseguiremos mostrar que a melhor saída para ao crescimento de qualquer país é o investimento em pesquisa”, disse o ministro.

O reitor da FEI, Fábio do Prado, abordou a integração necessária entre campo-cidade não somente como uma tendência, mas como uma oportunidade para aplicar o que é aprendido na academia com as tecnologias a fim de produzir impacto social. “Não se fala mais da cidade sem se falar do campo. Não dá mais para separá-los. A tecnologia está aí, mas ainda temos grandes problemas sociais a serem resolvidos. A expectativa é que os alunos saiam da caixa e entendam os desafios do futuro que envolvam ambos”, disse.

Alimentação e tecnologia: o Brasil na vanguarda

O primeiro painel do segundo dia do evento foi um future flash ministrado por Leonardo Sologuren, da consultoria Zeus Agrotech, que abordou os desafios e gargalos políticos e estruturais para que o Brasil se consolide como fornecedor de alimento e energia em nível global. “O Brasil não é competitivo e não oferece condições favoráveis”, disse Sologuren, que citou também problemas como infraestrutura, a ausência de uma política agrícola estruturada, burocracia, juros altos e baixa integração entre setor privado e universidades como entraves para que o País se estabeleça plenamente como produtor de alimentos de grande valor agregado e alto valor nutritivo, deixando de lados as commodities.

As questões da palestra deram margem para o início do Painel “2050, Aonde vai a agroindústria? que contou com a participação de Luiz Carlos C. Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); Gustavo Grobocopatel, presidente do Grupo Los Grobo; Bernardo Silva, presidente executivo da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI); e Fernando Lemos, vice-presidente da Oracle.

Moderado pelo jornalista Carlos Tramontina, o painel abordou como a sustentabilidade, internet das coisas, novas tecnologias e novos hábitos de consumo se integram no agronegócio. No debate, o presidente do Grupo Los Grobo destacou que o agro vai caminhar para a robótica, agricultura de precisão, big data e logística “uberizada”, só que incluindo na equação a preocupação em utilizar energias renováveis tanto em combustíveis quanto na indústria. “A geração millenium, formada por jovens que nunca viveram sem internet, entrando na tomada de decisão provocarão impacto no comércio eletrônico, e em novas organizações das cadeias de valor. Com isso, as empresas serão cada vez mais porosas, refletindo nas sociedades e sendo abertas a serem impactadas. O limite vai ser difuso”, falou Grobocopatel.

Carvalho, da Abag, ponderou que o mundo hoje tem um tripé básico que deve ser considerado para quem pretende atuar no agro: a discussão tecnológica; a globalização e o protecionismo; e as questões climáticas. A opinião foi corroborada por Silva, da ABBI, que ressaltou que o Brasil deve aproveitar o desenvolvimento da Indústria 4.0 para duplicar os recursos industriais, além de investir na produção de biomassa.

Lemos, da Oracle, finalizou a discussão comentando que se vive o momento da quarta revolução industrial ou da segunda revolução da tecnologia da informação, com o conhecimento no cerne de ambas. Segundo o executivo, com a convergência tecnológica, academia, empresas e os atores produtivos importantes estão buscando novas formas de mudar o mundo. “Como a curva da demanda alimentar vai crescer, temos a oportunidade de aliar novos talentos com tecnologias para que haja abundância. O gap da tecnologia ainda é grande e muitas inovações não são implantadas. Caso o fizermos, podemos mudar novas curvas de consumo. O Brasil hoje é um expoente, mas novos players estão ingressando no mercado e o País precisa diminuir o tempo de adoção para seguir competitivo. O importante é que os líderes jovens tomem a liberdade de usar as tecnologias”, explicou Lemos.

Alimentação e Energia para o Mundo: logística e talentos

No segundo painel do dia, “Alimentação e Energia para o Mundo”, moderado por Joel Garbi Júnior, diretor da Next Step, foi discutido os desafios logísticos para o crescimento da agricultura nacional e também a importância da capacitação de mão de obra. A discussão teve participação de Leonardo Sologuren, da Zeus Agrotech; Rodrigo Figueiredo, diretor de Suprimentos da LatAM – AMBEV; Theo van der Loo, presidente da Bayer; André Clark Juliano, presidente da Siemens; e Maria Beatriz Bley, diretora do Planeta Orgânico, plataforma de negócios orgânicos e sustentáveis.

Juliano, da Siemens, afirmou que “agronegócio é, antes de tudo, uma indústria. Todos querem, cada vez mais saber de onde vem o alimento. “Nosso maior desafio é gente preparada para o futuro, para planejar os próximos 50 anos”. O mesmo pensamento foi traçado por Rodrigo Figueiredo, da AMBEV, citando que o desafio de quem irá trabalhar na cadeia que envolve o agronegócio é aprender a fazer mais com menos.

Leonardo Sologuren, da Zeus Agrotech, comentou que em todo o País, pelo menos alguma cultura é produzida, comparando com os EUA, nos quais somente alguns pontos são produtivos, chamados de belts. “Aqui somos produtores. A história mostra que a soja chegou ao Sul e ganhou outros locais. Ou seja, o desenvolvimento foi levado muitas vezes pela agricultura. Hoje, vemos que isso ainda ocorre em diversos estados que são considerados novas fronteiras agrícolas”, explicou.

Maria Beatriz Bley abordou que o agronegócio deve começar a se abrir para e bioeconomia, que privilegia o insumo bio ao combustível fóssil. De acordo com Bley, o Brasil é a maior potência em biodiversidade, um capital natural esplêndido, mas falta casar com o capital humano e as inovações. “Vocês (estudantes) podem oferecer as respostas para a segurança alimentar, hídrica, a transparência e rastreabilidade do alimento, desafios que a bioeconomia está pedindo. Temos que valorizar as pessoas que estão no campo. Logo teremos as megacidades, que podem fazer cluster e arranjos produtivos para atender às demandas vindas da bioeconomia. O desafio está posto”, disse.

Por fim, o presidente da Bayer, Theo van der Loo, ponderou que, “em breve, 90% da população jovem vai estar nos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e temos que manter estes talentos aqui”. Para o executivo, a retenção de talentos tem que ser melhor explorada, além de ampliar o potencial das pesquisas universitárias. “Muitas vezes a inovação é feita nas universidades e não é comercializada, e isso precisa ser melhorado”, finalizou.

(Fonte: Assessoria de Imprensa).