Fórum no RJ reúne especialistas para discutirem os rumos da economia

Temas relevantes para o crescimento econômico e social do Brasil foram debatidos durante a primeira edição do Rio Money Forum, evento realizado em 1 e 2 de outubro no Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) e pelo Comitê para o Desenvolvimento do Mercado de Capitais (Codemec), o fórum também debateu propostas de políticas públicas para o novo governo que tomará posse em 2019.

Na abertura do evento, o presidente do Codemec e diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Thomás Tosta de Sá, disse que “o desenvolvimento econômico e o crescimento empresarial numa economia de mercado só se consegue aumentando a produtividade dos fatores de produção”.

“O capital humano é obtido por meio da educação e da inovação; o capital financeiro por meio da alocação eficiente da poupança disponível nos instrumentos do mercado de capitais, e os recursos naturais por meio da exploração inteligente, com respeito ao meio ambiente”, ressaltou Tosta de Sá.

NOVA PREVIDÊNCIA

Na ocasião, ele defendeu a criação de uma previdência para novos trabalhadores a fim de possibilitar a formação de uma poupança privada de longo prazo. “É uma previdência que garante ao trabalhador uma aposentadoria digna no futuro e a possibilidade de participar do capital das empresas, que são as grandes geradoras de riqueza na economia, além de prover recursos para o financiamento dos investimentos nas infraestruturas logística e social, que irão garantir uma melhor qualidade de vida”, destacou o diretor da SNA. Além disso, ele acredita que “o Brasil terá a oportunidade de mostrar ao mundo um modelo de economia de mercado em que o lucro gerado pelas empresas pode ser melhor distribuído entre os três fatores de produção, reduzindo as desigualdade geradas pelo regime capitalista e consolidando-se num novo capitalismo solidário”.

Tosta de Sá disse ainda que aposta na “nova geração de jovens empresários que não mais ficarão à espera do governo para empreender, mas que têm disposição para criar suas empresas, aumentando a produtividade de seu capital humano, com criatividade e inovação, deixando a tranquilidade de um emprego nem sempre garantido”.

INVESTIMENTOS

Presente à abertura do fórum, Paulo Protásio, diretor da SNA e presidente do Conselho Diretor do Codemec, falou sobre a tecnologia como oportunidade para o crescimento econômico. “A tecnologia incorporada a uma política pública significa, além de oportunidade, mudança de comportamento e de cultura”, ressaltou.

No painel sobre investimentos em infraestrutura logística, Márcio Sette Fortes, diretor da SNA, que também atua na área de relações institucionais da presidência do grupo Multiterminais, disse que no Brasil, a preocupação com a infraestrutura logística, como um todo, “encontra fundamentação no baixo nível de investimento ao longo do tempo e na depreciação das estruturas”.

Segundo Fortes, na composição do chamado Custo Brasil, “a ineficiência logística sempre ocupou papel de destaque”. Ele ressaltou que a produtividade final sempre ficará comprometida se os canais de escoamento provocam perdas e atrasos.

“A redução de competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional não corresponde às ambições de um país que almeja ampliar sua participação no comércio mundial que, atualmente, limita-se a apenas 1,2% desse total. É chegada a hora de o Brasil ampliar essa participação, buscando mais progresso e desenvolvimento, por meio de investimentos em logística”, destacou Fortes.

PORTOS

Quanto ao setor portuário brasileiro, incluindo o porto do Rio, o diretor da SNA reconheceu que houve melhorias com a entrada de operadoras privadas, a partir de concessões realizadas no início da década de 90 e ressaltou que, atualmente, os terminais portuários buscam maior produtividade aliada à redução de custos.

“A eficiência portuária foi alcançada com fatores como velocidade no movimento de cargas, diminuição de custo nas operações, aparelhamento e modernização dos portos, introdução de softwares, entre outros”, destacou.

No entanto, Fortes observou que “os navios cresceram em dimensão, e os portos do mundo tiveram de se adequar para recebê-los”. Como exemplo, citou os investimentos privados de R$ 500 milhões para a expansão dos terminais de contêiners da Multirio e Multicar na área portuária do Rio. Os recursos também foram utilizados para a compra de novos equipamentos.

As obras incluíram a ampliação do cais de atracação da Multirio, que passou a receber navios de grande porte, e a construção de um edifício garagem com capacidade para armazenar sete mil veículos. “Com isso, os terminais estão operando com maior capacidade e mais confiabilidade”, destacou Fortes.

TEMAS

Em outros paineis, o Rio Money Forum debateu temas voltados ao empreendedorismo, inovação e pequenas e médias empresas. Especialistas também discutiram a importância do aumento do número de empresas listadas em bolsa e a necessidade de ampliação da base de acionistas individuais. No encerramento do evento, foram discutidas as perspectivas para o cenário eleitoral no País.

(Reportagem: Sociedade Nacional Agricultura – Equipe RJ)