Mudanças na mineração serão debatidas em Minas Gerais

Há pouco mais de um mês, Wilson Brumer assumiu a presidência do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em meio a maior crise vivida pelo setor extrativo de Minas Gerais, após os rompimentos de barragens da mineradora Vale, ocorridos em Mariana (2015) e Brumadinho, no início deste ano.

Com vasta experiência em diversos setores da indústria, sobretudo mineração e siderurgia, o executivo quer despertar a consciência de agentes da cadeia produtiva do minério de ferro para as transformações necessárias à extração mineral. A começar pela própria comunicação, pois, para ele, há ruídos entre o setor e a sociedade, que estão prejudicando ainda mais a imagem da mineração.

Para isso, o Ibram realiza na próxima semana, em Belo Horizonte, o evento “Fornecedores de Tecnologias para gestão e manejo de rejeitos de mineração”. Brumer destaca que a instituição tem trabalhado fortemente no aperfeiçoamento das práticas aplicadas à produção e aos demais processos industriais da mineração.

Em entrevista ao Diário do Comércio, o presidente do Conselho Diretor do Ibram destacou os desafios do setor.  “A sociedade precisa entender a importância do setor, pois o desenvolvimento de Minas Gerais passa pelas minas. Mas a atividade também precisa se transformar e atualizar, pois não pode ser feita a qualquer custo. Precisamos de um ambiente propício, que conjugue segurança jurídica e atratividade sem deixar de lado as questões sustentáveis, sejam elas de cunho ambiental ou social”.

No evento, empresas brasileiras e também companhias com atuação internacional vão apresentar às mineradoras novas soluções desenvolvidas para melhorar a gestão e o manejo dos subprodutos do beneficiamento mineral ou rejeitos minerais. A ideia, conforme Brumer, é aproximar fornecedores e mineradoras que investem constantemente na gestão dos subprodutos da atividade.

“Além disso, será uma oportunidade de disseminar conhecimento em torno das novas tecnologias, serviços e produtos desenvolvidos no Brasil e em outros países”, comentou.

Sobre novas técnicas de extração e destinação de resíduos, Brumer lembrou da riqueza geológica brasileira, bem como da necessidade de incentivar a pesquisa mineral e a importância de aperfeiçoar a gestão e o manejo de rejeitos da mineração.

“Somos o primeiro produtor de nióbio do mundo e o terceiro produtor de minério de ferro. Ainda produzimos bauxita, caulim, rochas ornamentais, estanho, níquel, manganês, ouro, entre outros. Por isso, ao tratarmos do escopo da mineração, temos que considerar cada particularidade. São atividades diferentes, com demandas diferentes e perspectivas diferentes”, detalhou.

Sobre a destinação dos resíduos, Brumer ressaltou que nem todos os processos admitem barragens a seco e que, mesmo este tipo de destinação, tem suas necessidades de segurança. O executivo afirmou que é preciso buscar alternativas e tecnologias que aprimorem o processo e que dê a destinação correta para os rejeitos, inclusive com aproveitamento econômico.

Diversificação – Por fim, Brumer falou da importância da atuação de agentes públicos e privados na busca pela diversificação econômica e produção de produtos de maior valor agregado no Brasil. O dirigente admitiu que ambos são processos longos, porém, necessários à indústria nacional.

“São questões históricas e culturais. Mas devem fazer parte de uma agenda contínua das autoridades locais, estaduais e federais, como também de representantes do próprio setor, pois não são saudáveis para nenhum dos envolvidos. As empresas devem atuar como parceiras do desenvolvimento, mas não serem as únicas responsáveis pelo processo”, concluiu, enfatizando que o mesmo movimento também é observado em outras atividades que não somente a mineração.

(Fontes: Ibram e Diário do Comércio)