Ampliação da área de soja reaquece demanda por máquinas agrícolas, avalia SNA

O cenário positivo para os produtores brasileiros de grãos está impactando o mercado de máquinas agrícolas. A área cultivada com soja, uma das principais culturas do País, aumentou de forma significativa nesta safra e deverá se ampliar ainda mais, puxando a demanda de maquinário para o campo.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta para 2018 um crescimento 3,7% nas vendas de máquinas agrícolas, para 46 mil unidades. Além do incremento da oleaginosa, a retomada do comércio também se deve à queda da taxa de juros do Plano Safra 2017/2018.

Segundo Vicente Ferraz, diretor da consultoria IEG FNP, o cenário também é favorável ao mercado brasileiro de máquinas agrícolas em 2018 “porque o País vai colher a segunda maior safra de grãos da história”. Serão 228,6 milhões de toneladas, de acordo com os dados divulgados pelo 11º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Embora represente uma redução de 3,8% em relação à safra anterior, esse número ainda é grande.

Para Ferraz, além da necessidade de substituição da frota, que está ficando obsoleta, provavelmente o produtor precisará comprar mais máquinas, em especial para atender ao aumento da área plantada com soja, que deverá continuar crescendo na próxima temporada.

Pelos dados da Conab, na safra atual foram 35,2 milhões de hectares da oleaginosa – uma evolução de 3,7% em relação ao ciclo 2016/2017 e de 69,9% frente a 2016/2015. Na temporada atual, a expectativa é de produção de 119,9 milhões de toneladas de soja, em comparação ao total de 114 milhões na safra anterior. “É exatamente esse cenário positivo que estimula as vendas de máquinas agrícolas”, reforça Ferraz.

De acordo com Rodrigo Bonato, diretor de Vendas da John Deere, mais de 80% das colhedoras comercializadas no Brasil são utilizadas em fazendas de soja. “O setor vive um bom momento, favorecido pela desvalorização do real e pelo o prêmio da soja, que colaboram para a tomada de decisões do produtor rural na modernização ou na ampliação de sua frota de máquinas agrícolas”, observa.

Há também uma grande demanda de máquinas para a cultura de algodão, que ampliou a área cultivada e deve continuar em expansão. “Portanto, esperamos um crescimento ainda maior na comercialização de colhedoras”, prevê Bonato. “Além disso, a venda gerada em um hectare de algodão equivale a três hectares de soja.”

De acordo com a Conab, nessa safra, a área de algodão foi de 1,18 milhão de hectares, com crescimento de 237 mil hectares comparado ao ciclo passado. A produção de pluma deverá alcançar 1,9 milhão de toneladas, um ganho de 28% em relação ao ano anterior. Já a produção de caroço, está estimada em 2,9 milhões de toneladas, com incremento de 28% na mesma comparação.

Segundo Bonato, uma grande tendência é que os produtores busquem cada vez mais tecnologia, de forma a aproveitar o potencial máximo das máquinas, pelo maior tempo possível. “Trata-se de uma mudança cultural, em que os agricultores estão valorizando máquinas mais eficientes, capazes de entregar mais com menos, ou seja, vivemos um momento de menos ferro e mais inteligência”, enfatiza o executivo.

Segundo ele, importantes recursos da agricultura 4.0 têm ajudado produtores na otimização de processos e na mensuração de variáveis que auxiliam na tomada de decisões. “Consequentemente, essas mudanças têm gerado bons resultados e aumentam as estimativas de crescimento do mercado de máquinas”, afirma Bonato.

Desde a criação do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), o agricultor tem realizado suas compras com mais facilidade.

Atualmente, o produtor tem à sua disposição linhas de crédito com recursos próprios das empresas, bem como aquelas oriundas do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluindo o Moderfrota, o Financiamento para investimentos dos médios produtores rurais em atividades agropecuárias (Pronamp) e o Financiamento de máquinas e equipamentos (Finame).

Porém, na opinião de Bonato, o mais importante é que haja uma constância nas regras dos planos agrícolas anuais e nos recursos para investimento durante o ano. “Ao ter clareza do que vai ocorrer, os produtores poderão planejar melhor a safra, o que é crucial para a atividade da cadeia agrícola”.

 (Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura- RJ)