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Cinco estados iniciam ‘vazio sanitário da soja’

O vazio sanitário da soja já está valendo em cinco estados brasileiros: Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. No Brasil, 11 estados e o Distrito Federal adotam essa medida, estabelecida por meio de normativas estaduais. Além do Brasil, o Paraguai também estabeleceu o período de vazio sanitário.

O vazio sanitário, que começou na quinta-feira (15), é o período de 60 a 90 dias em que não se pode semear ou manter plantas vivas de soja no campo. De acordo com a pesquisadora Claudine Seixas, da Embrapa Soja, o objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra.

“O vazio sanitário soja é uma das principais estratégias para o manejo da ferrugem-asiática da soja, que é a mais severa doença da cultura da soja”, diz Claudine.

A pesquisadora explica que o fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, ou seja, precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. “Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra “quebramos” o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente”.

Ferrugem da soja

A ferrugem asiática da soja foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001. Hoje essa doença, considerada a principal na cultura da soja, possui um custo médio de US$ 2 bilhões por safra. Apesar da contribuição dos fungicidas, uma redução da eficiência desses produtos vem sendo observada desde a safra 2007/08 em função da adaptação do fungo.

Segundo os pesquisadores da Embrapa, os fungicidas utilizados no controle da ferrugem pertencem a três grupos distintos: os Inibidores de desmetilação (IDM, “triazóis”), os Inibidores da Quinona externa (IQe, “estrobilurinas”) e os Inibidores da Succinato Desidrogenase (ISDH, “carboxamidas”). Ao ser identificada no Brasil, em 2001, a ferrugem-asiática foi controlada com a aplicação de fungicidas triazóis isolados e misturas de triazóis e estrobilurinas. Desde 2008, produtos isolados não são recomendados em decorrência da menor eficiência, sendo recomendados somente misturas comerciais de fungicidas com diferentes mecanismos de ação.

“A partir da safra 2013/14, uma redução de eficiência foi observada para a estrobilurina isolada nos ensaios cooperativos”, explica a pesquisadora Claudia Godoy. Nessa mesma safra foram registradas as primeiras misturas de fungicidas estrobilurinas e carboxamidas para a cultura da soja. Na safra 2016/17, a pesquisadora explica que alguns fungicidas com carboxamidas apresentaram redução de eficiência nos ensaios cooperativos, em relação aos resultados da safra anterior, em regiões específicas. “Dessa forma, o rigor na adoção do vazio sanitário é extremamente importante para redução do inóculo entre as safras, auxiliando assim no manejo da ferrugem-asiática”, relata a pesquisadora.

(Texto: Assessoria da Embrapa)