Países árabes oferecem boas perspectivas para o agronegócio brasileiro

De janeiro a outubro de 2017 a receita das exportações para os países árabes cresceu 22% e alcançou US$ 11,4 bilhões, ante US$ 11,6 bilhões obtida durante todo o ano passado, segundo o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDCI).

O mercado árabe é composto pelos 22 países que integram a Liga de Estados Árabes, órgão que no Brasil é representado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira no que se refere a questões comerciais. “Esses 22 países possuem cerca de 450 milhões habitantes e precisam de fornecedores constantes e confiáveis para produtos e serviços, principalmente alimentos”, afirma o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun.

Segundo ele, o Brasil tem aproveitado bem as oportunidades do mundo árabe. “Atualmente, por exemplo, entre 15% e 20% da carne de frango produzida no nosso País têm como destino nações árabes, assim como uma parte expressiva do nosso açúcar e da carne bovina, num comércio contínuo e superavitário, estimado em US$ 12 bilhões em vendas anuais”, destaca.

Apesar de ser um mercado expressivo, Hannun acredita que ainda há muitas oportunidades a serem exploradas pelo agronegócio brasileiro.

“Mais de 60% da população dos países árabes é formada por pessoas abaixo dos 30 anos de idade. Isso quer dizer que esse mercado vai crescer futuramente e continuará demandante por alimentos e outros produtos”, diz.

Os principais produtos que puxaram esse aumento das exportações dos produtos brasileiros para os países árabes foram, na ordem, açúcar (34,4% do total de receitas), carne de frango (19,7%), carne bovina (7,2%) e milho (5,5%) lideraram a pauta de exportações no período. Os percentuais acima se referem ao acumulado janeiro-outubro de 2017.

A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira espera fechar o ano com aumento de 15% na receita das exportações, comparado a 2016. Porém, Hannun lembra que em 2016 houve uma queda de 5,3% nas receitas de exportações, em relação a 2015.

“Em resumo, estamos tendo maior receita – e não necessariamente com aumento no volume. Estamos também num processo de agregação de valor. Nesse cenário, o Brasil, que já é um fornecedor de commodities do mercado árabe, pode ter ainda mais oportunidades em 2018”, argumenta.

O presidente da Câmara Árabe Brasileira destaca alguns mercados que ainda podem ser aproveitados para aumentar a receita das exportações brasileiras. “Há muitas oportunidades no mercado árabe para alimentos gourmet, orgânicos, não-transgênicos e halal, que ainda estão por ser exploradas”, comenta.

Segundo ele, alguns importadores, particularmente supermercadistas e cadeias de hotéis e restaurantes nos Emirados Árabes, que estão buscando fornecedores de frutas, soja, milho, açúcar e carnes, produzidos no sistema orgânicos, que contenham insumos transgênicos e, principalmente, atendam aos requisitos da religião islâmica (halal). Porém, de acordo com Hannun, essas características precisam ser atestadas por selos internacionais de qualidade e que atestem as três características mencionadas.

“Não adianta ser só halal. Precisa ser, além disso, orgânico e não-transgênico”, explica. “Se houver qualquer obstáculo nesse sentido, a Câmara conta com parceiros que podem ajudar as empresas eventualmente interessadas a adequar sua produção segundo as exigências do importador.”

Os árabes atualmente compram alimentos de qualidade diferenciada da França, dos Estados Unidos e da Austrália. Mas há grande interesse em novos fornecedores. Segundo Hannun, no Brasil, produtores de frutas do Vale do Rio São Francisco já estão exportando frutas orgânicas e não-transgênicas para o mundo árabe, por meio de uma linha de carga criada recentemente pela companhia aérea Emirates entre o aeroporto de Petrolina (PE) e os Emirados Árabes.

“Mas queremos mais. Por isso, estamos organizando junto com a a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para uma missão aos Emirados Árabes no começo de dezembro”, conta.

Para essa missão, foram convidados empresários que já exportam alimentos convencionais para os árabes. Eles vão conversar com grandes importadores, como o Organic Food & Café e o Dubai Center Fruits & Vegetables, ambos de Dubai, mas que também fornecem para países vizinhos, como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Qatar e Bahrein. “A ideia é sensibilizá-los para as oportunidades existentes nos segmentos de alimentos premium.”

(Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura / SP)