Setor mineral está pronto para enfrentar eventuais volatilidades de mercado, dizem analistas

O analista chefe da CRU, Paul Robinson, pontuou com otimismo os desafios para o setor, em um cenário com preços de commodities mais baixos em 2019, baixo crescimento chinês e risco ambiental – tópicos que têm preocupado os investidores. “Estamos numa posição muito melhor para lidar com um quadro de recessão do que há quatro ou cinco anos. Se houver nova crise, a indústria de mineração tem fluxo de caixa e saberá lidar com essa situação, o que é bom para investidores e para a indústria”, acredita.

Ele participou da plenária “O futuro do mercado de commodities minerais e as principais tendências atuais para a mineração”, que mobilizou um grande público na Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM), em Belo Horizonte.

De acordo com Paul Robinson, manter a disciplina no fornecimento é fundamental para a recuperação no valor das commodities, que têm boas chances de retomada nos preços a partir de 2020.

Para Roger Emslie, executivo do Wood Mackenzie, o foco de longo prazo será muito benéfico para o setor, tendo em vista a tendência mundial de eletrificação nos automóveis para 2040, e, como consequência, a grande demanda por lítio, cobalto, níquel e grafite, materiais que alimentam baterias e outros componentes automotivos.

“Até 2040, 50% de todos os veículos vendidos conterão uma bateria para movimentá-lo, o que significa 40 milhões de veículos de passeio”, afirmou.

A vice-presidente sênior da Moody’s para a América Latina, Bárbara Matos, acredita em uma perspectiva estável para o setor. Um ponto fundamental, segundo a executiva, é a retomada do investimento em exploração, desenvolvimento, novas capacidades. “Isto é de grande importância, pois a demanda vai continuar crescendo, mesmo com dificuldades pontuais nas ofertas de commodities”, disse.

Ela também destaca a importância da questão da governança neste processo. “Cada vez mais os investidores olham para estratégias das empresas mineradoras: cuidados com o meio ambiente, segurança, o relacionamento com as comunidades, bem como com os governos locais, estaduais e federais, além da saúde dos empregados e das pessoas diretamente envolvidas. Uma produção responsável, com licença social para investir e operar, será uma questão cada vez mais central no âmbito mineral”, finalizou.

(Fonte: Assessoria de Imprensa)